Luz e Sombra

Friday, November 18, 2005

DT Novembro: Beleza, Equilíbrio, Harmonia?

Aviso: Este texto não é inocente. Não o aconselho DE TODO a pessoas mais sensíveis. Não é gore, nem terror ...nem muito óbvio porque faço este aviso...
É apenas um aviso 'à navegação', o lado emerso do iceberg é 9 vezes menor que a parte submersa
agora seguem por vossa conta e risco

Der Überrr


Ritual da Dissolução

I Momentum
Abre a porta da Mente
Liberta os grilhões da Alma
Agora és vulnerável
Oferece o peito à Tempestade que se aproxima

II Momentum
O medo não tem lugar aqui
O amor não tem lugar aqui
A piedade não tem lugar aqui

III Momentum
Observa a Luz que transita
Sente o calor que irradia
Prova o sal das minhas feridas
Estás cada vez mais perto

IV Momentum
O medo não tem lugar aqui
Se sentes medo desiste

V Momentum
O Amor não tem lugar aqui
Se tens amor por ti desiste

VI Momentum
A piedade não tem lugar aqui
Se acreditas que serei piedoso desiste

VII Momentum
Se resististe até aqui já não podes desistir
Eis que chegamos ao Ponto de Não Retorno
Agora começa o Grande Ritual da Dissolução

VIII Momentum
Pão, Carne, Vinho, Sangue
Sémen, Terra, Leite, Mercúrio
No teu peito está a Chave
Para aceder à Câmara Secreta
Onde Ela nos Ilude e Se esconde

IX Momentum
Onde havia calor é agora gélido
Pois eu penetrei nos Seus aposentos
E ela sorriu para Mim
E Ofereceu-se a Mim
E Ligou-se a Mim
E Abandona-te a Ti

X Momentum
Ela dança no Jardim da Eternidade
Ela bebe da Fonte da Imortalidade
Ela controla a Força e a Virtude
Ela é a Luz
Ela saiu da Câmara
E deixou lá o Negro e o Vazio

XI Momentum
Maria chora no seu trono de pedras e espinhos
Ela sabe que a Tempestade chegou aos Céus
E o seu Filho será para sempre impotente
A Guerra pelas Almas dos Mortais está aberta
E uma a uma são colhidas e levadas
Mas o Grande Paraíso está vazio

XII Momentum
Estamos juntos no Jardim da Eternidade
Bebemos todos da Fonte da Imortalidade
A Grande Mãe é a nossa Força e Virtude
Pão, Carne, Vinho, Sangue
Sémen, Terra, Leite, Mercúrio
Não mais vestiremos Carne Mortal

XIII Momentum
É tudo uma Fantasia
Imagens, Formas e Sensações
Tudo Ilusões
Agora dorme
Pois quando acordares estarás completamente só


18 de Novembro de 2005,
Der Überlende

5 Comments:

  • Uuuuh. Ok, agora vejo porque deixaste o aviso à navegação.... Sim, não é um texto fácil. Acho que cada um, seja mais ou menos conhecedor dos símbolos que utilizas, pode no entanto tirar uma mensagem pessoal desta oração. A mim fez-me lembrar os seguintes versos:

    Se vivi não me lembro
    Do amor não me recordo
    A vida é neste momento
    Um sonho do qual acordo.

    Mauzinhos, eu sei, mas eu era nova e obcecada com a ideia da morte. Afinal... o que está do outro lado? Alguma espécie de redenção, outra vida, a dissolução do ser? Como será ser nada? Pensamentos perigosos. Só sei que no momento antes, e depois de morrer (há tempo depois da morte?...), estaremos todos igualmente sós. Foi nisto que me fizeste pensar. Definitivamente não na Moranguinho. :)
    Um beijo

    By Blogger smallworld, at 12:13 AM  

  • Uma soberba via sacra do avesso.
    E se o abandono vingasse sobre o amor? E se a dor fosse apenas o embrião de tudo o resto? E se tudo o resto não passasse de uma ilusão estéril?
    O teu lado negro é mais do que uma poderosa ferramenta ou mais-valia literária. Começo a achar que é o teu lado maior.
    Parabéns pela escrita contida, pelos demónios domados e por mais um texto poderosíssimo.
    Estás a tornar-te num mestre da subversão. Adorei!

    By Blogger Earworm, at 4:17 AM  

  • sensivel ou não...resolvi arriscar.
    não doeu, surpreendeu positivamente... se é triste? naa..é mortal! atinge com força, derruba, mas ergue quem lê. até aí muito caminho ha a percorrer, o mesmo caminho que nos conduz a ela, à morte da vida.

    bem, isto para dizer que gostei!

    By Blogger Ana João, at 4:30 AM  

  • Levaste-me por uma longa viagem em direcção à imortalidade e eternidade. Um texto muito bonito e terno mas também violento e agressivo :) mesmo à moda de Der Uberrrr...

    beijinho

    By Blogger Eduarda Sousa, at 11:35 AM  

  • Fico sem palavras com os teus poemas, D.U. Cada vez entras mais em domínios que não pertencem ao "facilmente exequível", ao comum, ao quotidiano. Enquanto lia estes momentos, pensei logo que se tratava de uma via sacra. Acabei por ver que tinha mais uma instância... mas isso não invalidou a minha ideia inicial, porque faz todo o sentido que haja esta 13ª paragem, este culminar.
    Deixa-me a pensar, este poema... não em termos religiosos, porque tenho a minha Fé bem assente, mas em termos sociológicos. Porque é a natureza humana que se abre perante mim nos teus versos, é o mundo distorcido que hoje temos. Parabéns pelo talento e pela excelente concretização de ideias magníficas.
    Beijinhos doces*

    By Blogger rita, at 12:03 PM  

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