Palavras
Brincar com as palavras. Fazer brilharetes. Metáforas, comparações, personificações e loucuras. Tudo serve. A nossa alma estará em cada sílaba, vírgula, palavra, frase e suspiro. Ao ler-te saberei que foste Tu. Os sulcos cravados nas teclas do computador, as migalhas caídas nas frinchas do teclado, a poeira acumulada no ecrã, os milhões de pixels reflectidos nos teus olhos que compõem todos os vocábulos imperceptíveis para os leigos mas cristalinos para nós. Saberei saborear cada palavra não escrita, cada gemido não dado, cada sussurro não comunicado. Interpretarei a doçura de todas as letras delineadas pela tua mestria de pianista. Dedos delicados e suaves. Entre o cheiro de café, os livros espalhados pelo chão, os papéis, a caneta, o iPOD, e as sebentas de Geografia Humana concentrarei toda a minha atenção nos montículos de tinta-da-china que primorosamente me delineaste na última noite. Por cima do guarda-fatos guardo todas as locuções que me deixaste ao partir. Boca seca. Palavras que me aprisionam na ilusão da tua presença ausente. Por isso decido queimar tudo o que me deixaste. Só a memória permanece.
6 Comments:
devorei cada uma até ao fim, acho que não posso fazer melhor elogio
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BFC, at 10:40 PM
Idem. Soberbo texto.
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smallworld, at 11:39 PM
Olá! =)
Este texto está belo adorei lê-lo!
Tem um óptimo domingo!
~*~
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Anonymous, at 9:30 PM
tens muito jeito
adorei
continua k vais muito longe
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Anonymous, at 2:02 PM
Excelente texto. Não conheciamos esta tua faceta poética. Devias demonstrá-la mais no dia a dia.
Anabela e Sylvie
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Anonymous, at 6:09 PM
Lindo.
BB
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Ariadne, at 12:38 AM
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