Luz e Sombra

Saturday, May 28, 2005

DP2: Pressão... (Parte II), por Fryator

Ora bem,

Eu disse que já tinha terminado o DP2?...
Pois, julgava eu que sim, mas hoje recebi mais uma resposta absolutamente fantástica do Fryator.
E terão que concordar comigo... uma resposta destas merece uma "abébia"! :)

Obrigado pelo teu empenho,

Der Uberlende


Pressão... (Parte II)


A vontade que tenho, é a de me levantar e ver o que se passa, não que o objectivo seja o de ajudar, nem sei se alguém precisa de ajuda, nem sei se é arrogância minha pensar que a minha ajuda podia fazer alguma diferença, se nunca fez antes, porque é que mudaria agora, no fim de tudo?
Ainda de caçadeira apontada para o meu já muito debilitado corpo, sim porque ao fim de 35 anos a fumar, os efeitos do tabaco são mais que notórios, levanto-me e dirijo-me para a porta.
Ouço outro estrondo, menos forte é certo, mas nem por isso menos suspeito, e ouço passos a passarem pela minha porta, tão depressa que até tirei o ouvido da porta, pois o barulho dos passos ecoam com tanta força no chão de madeira, já semi-podre, que qualquer passo se ouve, quanto mais alguém a correr pelas escadas acima.
Quando ia a pegar na maçaneta da porta para ver quem subia com tanta pressa em direcção a não sei bem o quê, visto que o meu prédio só têm 3 andares, e dos inquilinos que ainda estavam no andar de cima, um casal relativamente novo, tinha saído no fim de semana passado em lua de mel, tinha reparado pois vi o carro deles normalmente decorado com as normais partidas de casamento, mas assim que fiz força, ouvi outros passos e afastei-me novamente, e desta vez eram acompanhados por gritos de mulher.
- Não, onde vais, não.
Eram gritos de pãnico, gritos horriveis de desepero. Pousei a caçadeira no chão e comecei a imaginar o que poderia ter-se passado.
Comecei a ouvir gritos outra vez, mas desta vez na rua, tinha a janela aberta, era a janela por onde saia a Elisa.
Corri para a janela para perceber o que se passa, e através das traseiras do prédio vi umas raparigas aos gritos a olhar para cima, onde após uma pequena sessão de contorcionismo percebi que o homem que vivia por baixo de mim, estava no parapeito do prédio, ouvia também o seu choro, e o grito de uma mulher que deveria ser a sua. Quando puxei o meu corpo para dentro, o meu coração parou quando reparei que ele acabara de se atirar.
Branco era a cor da minha pele, mas a curiosidade ultrapassou o medo, e meti a cabeça de fora para ver aquilo que os gritos estridentes das raparigas deixavam adivinhar. O corpo do homem tinha caido em cima de umas bicicletas que os filhos da mulher do 2 esquerdo costumavam deixar, estava morto, sem dúvida, e os gritos das raparigas apenas eram ultrapassados pelos gritos da mulher no terraço.
Sentei-me no sofá, e olhei para a caçadeira que tinha colocado perto da porta, liguei a televisão, nem sei porquê, mas fiz-o talvez para perceber que não era um sonho, digo, pesadelo aquilo que acabei de presenciar.
Mas levantei-me, abri a porta, e a os filhos da vizinha espreitavam pela porta, mas de imediato e mãe puxou-os para dentro, aos berros.
Não sei o que me deu, mas corri em direcção ao primeiro andar, onde a porta do 1º direito estava aberta, e entrei, nem hesitei aliás, mas entrei.
Reparei que estava alguém deitado na sala ao fundo, e ao me aproximar reparei que era o filho deles, do homem que acabara de se atirar do cimo do prédio.
Sangue saia pela cabeça do miudo, e tudo indicava que estava morto, perecebi que tinha batido com a cabeça na mesa da sala, que era de vidro, daí o barulho.
Aproximei-me e ao colocar a mão no pescoço do rapaz, percebi que ainda tinha pulso, fraco, mas ainda batia.
Quando me levantei e sai pela porta, a policia tinha acabado de chegar, bem como os bombeiros que devem ter sido chamados por alguém que viu o homem no topo do prédio, pegaram no rapaz, e levaram-no para o hospital.

Soube mais tarde que o rapaz sobreviveu, por pouco, mas sobreviveu, visto que se não fosse assistido pelos bombeiros que tinham vindo salvar o pai, tinha morrido também.
O pai, esse atirara-se pois pensava que tinha morto o filho, e acabou por salvá-lo, sem sequer descobrir que o tinha feito.

Vendi a arma, pois apesar de ter licença nunca tinha ido à caça, e arranjei outra gata, chamei-lhe Matilde.

27 de Maio de 2005

Fryator

11 Comments:

  • Bem vindo Fryator,

    Antes de mais queria pedir-te desculpas pelos problemas de formatação no teu texto. Creio que o erro terá sido meu ao fazer copy-paste do teu mail para o editor do blog.
    De qualquer modo, achei o teu texto demasiado bom para sequer pensar em não o incluir, mesmo passado o prazo

    sê bem vindo

    Der Uberlende

    By Blogger Der Überlebende, at 12:47 AM  

  • ainda por cima tem o titulo de "DP2: Pressão... (Parte II), por Der Uberlende"....
    As minhas mais sinceras desculpas!!!

    Ando mesmo a precisar de dormir... ai ai...

    By Blogger Der Überlebende, at 1:57 AM  

  • Obrigado por teres publicado o texto, e desculpa por ter sido entregue mais tarde, e não te preocupes com a formatação que isso não muda o texto ^_^

    By Anonymous Anonymous, at 1:12 PM  

  • Já dei um jeitinho. hehehe. privilégios de administradora do blog :)
    vou ler...

    By Blogger Eduarda Sousa, at 3:44 PM  

  • porra é forte sem duvida.. desgraçoso ate, parabens ;) *

    By Blogger Perséfone, at 5:48 PM  

  • Gostei mesmo muito. O sentido da história está muito original e talvez algo que não é tão raro assim. Não especificamente casos destes, mas coisas do dia-a-dia que nos obrigam a pensar duas vezes; coisas que acontecem aos outros que nos podem alertar. Não há coincidências e é tudo tão encaixado que a maior parte das vezes não nos apercebemos disso. Enfim... gostei do rumo que deste à história.
    Beijo*

    By Blogger SweetSerenity, at 7:37 PM  

  • Incrivel... adorei
    será que temos um vencedor?

    By Blogger Dasha, at 7:43 PM  

  • Adorei o texto, estou a começar por este... mas gostei mesmo. É original, inesperado e tem do dom de ser actualista, numa altura em que tanto se fala de violência sobre as crianças até às últimas consequências e de famílias desfeitas por estes dramas.

    By Blogger maria l. duarte (secret), at 4:08 PM  

  • Gostei muito da ideia, mas devo confessar que fico um pouco triste por a qualidade da escrita não acompanhar a qualidade do conteúdo. :Z

    By Blogger rita, at 5:09 PM  

  • também gostei muito a não ser alguns erros e construções de frase que lhe tiraram o merecido brilho do conteúdo.
    beijinho

    By Blogger Eduarda Sousa, at 11:30 AM  

  • Tenho noção que não sou escritor, ainda por mais que não costumo escrever assim tanto (nem ler), posso dizer sim que sou um sonhador, contador de histórias peculiares, que com algum tempo e trabalho pretendo conseguir através de boa escrita contar as tramas que me saem da cabeça.

    Ah, e aquilo que fiz agora gosto muito de fazer, que é pegar em qualquer coisa que não minha, e dar-lhe uma volta completa tentando não perder o significado original, (um pouco como aquela coisa de alguém nos fazer um risco numa folha em branco e nós fazermos o resto do desenho).

    Gostei das criticas, pois só consigo evoluir se as tiver.
    Mas ainda que alguns erros me sejam óbvios gostaria que alguém se poder dar-se a esse trabalho de me enviar as suas sugestões/correcções no que diz respeito a erros comuns que cometo, etc para fryator@gmail.com.


    Obrigado. ^_^

    PS: Estou aqui à tão pouco tempo e já gosto tanto de cá estar. =D

    By Anonymous Anonymous, at 3:40 PM  

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