Luz e Sombra

Friday, September 30, 2005

Cristal - O Novo Desafio Parte 2 (DP2), por Der Uberlende

E não resisto a voltar a lançar o Desafio Parte II
Este modelo é já bem conhecido de (quase) toda a gente, todavia o bom senso manda-me ditar as regras, que são as seguintes:

1. O texto que se segue representa a Parte I de uma estória em dois actos (apenas dois)
2. O que eu sugiro é que cada um de vós escreva a Parte II, que tem que ser a parte final
3. Cada pessoa escreve a sua versão da Parte II, ao seu estilo, à sua maneira, com o final que entender.
4. No dia 31 de Outubro (Halloween) eu publico a minha versão, apenas por devoção. Não se trata da versão correcta nem da melhor versão. Será apenas isso, a minha versão!
5. Ai, na noite de Halloween, termina a submissão de textos.
6. No dia 2 de Novembro será publicada uma mensagem onde, através dos vossos comentários, será votada a vossa versão favorita.
7. No dia 10 de Novembro é publicada a versão integral, com a Parte II escolhida por todos
8. Para publicar a vossa versão da Parte II enviem um e-mail para hopematches@portugalmail.pt ou para ngoli12@yahoo.com.br
9. Posso contar convosco?

Boas escritas,

Der Uberlende




Cristal

Os primeiros dias de Novembro fustigavam a aldeia com chuvas fortes e ventos castigadores. Era o Inverno, que deixava bem claras as suas intenções de ser longo e tenebroso. Era tempo das pessoas recolherem nas suas casa, nos seus abrigos, longe das tormentas da estação. E longe dos olhares dele.
Era uma criatura peculiar. Alguns diriam pacato e recatado, outros chamavam-lhe “avozinho dos bonecos”. E também haviam aqueles que o olhavam com desconfiança... e medo, muito medo.
A loja era de facto extraordinária, uma delícia para os olhares curiosos, um passeio entre o maravilhoso e o macabro. Centenas de pequenos bonecos de cristal, todos diferentes uns dos outros. Muitos, a maioria, eram para venda. Dizia-se que uns vinham da Bohemia, outros eram recordações do Brasil colonial, enquanto que muitos eram italianos ou mesmo chineses. Vinham de todo o mundo, e desfilavam nas prateleiras de carvalho antigo da loja do Mestre Fausto.
Mestre Fausto vivia naquela aldeia desde sempre, nem mesmo os mais velhos se lembram da chegada dele. Era um homem alto e magro, de feições vincadas e pele encortiçada, olhar fundo e encovado, e tanto era capaz do sorriso mais cordial como da expressão mais esfíngica. Tinha o dom de encantar as crianças com as histórias dos seus bonecos de cristal. Entre tantas que foram contadas, houve duas que ficaram particularmente famosas: a do Tigre e a da Traça Aqueronte, a Caveira-da-Morte. Ninguém sabe todos os pormenores, pois foram as duas contadas há muito tempo e a várias pessoas, que ouviram de maneira diferente, a cada um a música que lhe encanta o ouvido.

O Tigre
O Tigre veio da Índia, de onde mais. Dizia-se que teria feito parte da coleção luxuosa de um rico capataz inglês, dos tempos em que a Índia era a jóia da coroa do Império Britânico. Não tinha preço, era uma peça única, de detalhes fora do comum, um cristal deliciosamente fino e leve, sem uma única marca de entalhe, como se tivesse sido o próprio Shiva a esculpi-lo com o seu fogo. Mas tanta beleza tinha o seu lado negro. Não era possível contemplar o Tigre demasiado tempo, não mais do que um ou dois minutos de cada vez. Quem deixasse o seu olhar perscrutar o valioso espécimen com demasiada demora caia num transe profundo, onde era visitado por pesadelos violentos e claustrofóbicos, em que imaginava ficar perdido na selva, sem saber para onde ir, e em que o Tigre o perseguia... até à morte! Se conseguisse sair do transe antes do Tigre o apanhar, ficava apenas marcado para o resto da sua vida com terrores nocturnos, mas se o Tigre o reclamasse, ficaria remetido a um estado vegetativo, com o corpo contorcido pelo pânico e a cara deformada com a máscara da morte.

A Aqueronte
Uma peça de classe incomparável. Uma enorme traça Aqueronte, mais vulgarmente conhecida por Caveira-da-Morte, dado o padrão que exibia no seu dorso, uma assustadora caveira de expressão fria e cativante. A Aqueronte era uma antiguidade que havia passado de geração em geração, sendo que o último dono, o Conde de Chambourcy, a deixou em legado ao Mestre Fausto, em honra da sua inigualável colecção de seres de cristal. A lenda rezava que a Aqueronte vinha da Grécia dos heróis e dos deuses. Constava que a infame pertencia à Pitonisa, que no seu Templo de Delfos, o Oráculo de Apolo, adivinhava o futuro e via para além do tempo. A Aqueronte era uma das suas duas companheiras, sendo a outra o Grifo Assírio, que se terá perdido numa das inúmeras trocas de dono ao longo dos séculos. Consta então que a Pitonisa ouvia o que a Aqueronte e o Grifo lhe diziam sobre o visitante que vinha à consulta do oráculo, e que eram portadores das vozes dos condenados, os esquecidos do reino profundo de Hades. A Aqueronte seria a voz do barqueiro que levava o mortos para o submundo. Ela sabia sempre o que as pobres almas tinham para pagar neste mundo... e no próximo. O que o Mestre Fausto dizia era que nunca fizessem nenhuma pergunta à Aqueronte, a não ser que estivessem seguros que queriam mesmo saber a resposta. Não, o boneco de cristal não se iria mover e desatar a falar. A resposta viria mais tarde, após o segundo sono da noite. Por vezes, quem obtinha a resposta da Aqueronte durante o pesado repouso acordava insano, tresloucado, profundamente apático ou simplesmente se suicidava em poucos dias.

Mas não lhe vou contar mais histórias de bonecos assustadores, ou de velhas lendas sem tempo. Vou-lhes contar a história de Angela, e de como ela procurou descobrir o segredo de Mestre Fausto e dos Cristais malditos.

5 Comments:

  • Este desafio promete, Mestre Berlinde!
    Gostei tanto da primeira parte que já acho dificil dar-lhe uma segunda à altura! Mas claro que contas comigo.
    Um abraço a todos... e boas escritas.

    By Blogger Earworm, at 1:28 PM  

  • Vou tentar, a sério q sim! Mas não posso prometer ter coragem no fim para participar com a minha Parte II... ;)

    By Blogger Filipa, at 1:20 PM  

  • Finalmente mais um desafio... vou já começar a escrever a minha parte eh eh...

    By Blogger Eduarda Sousa, at 3:04 PM  

  • ahm.. parece-me complicado :\
    o meu universo fantastico anda muito pobre

    beijoquinhaaa*
    [tambem tou gripada :| lol]

    By Blogger Perséfone, at 10:52 PM  

  • hummmm.... algo fantástico... algo que não é só mortes, sangue, suicídio e desespero:))) BOA!!!! Contem comigo!!!

    Uma admiradora de Crónicas de Narnia/Harry Potter e outras estorias fantasticas!:)

    By Blogger Dasha, at 9:20 PM  

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