Luz e Sombra

Friday, May 06, 2005

Amada; 500 palavras para um blog - Exclusivo em formato poesia! :)

Ora viva!

Depois deste texto vou fazer como o Der Igel e hibernar durante uma semanita ou duas. Vou aparecendo para me actualizar dos vossos comentários e fazer os meus próprios comentários, aqui ou nos vossos blogs. Confesso que me tenho deixado entusiasmar demasiado pela vossa arte escrita, mas o dever chama alto, e tenho que por o trabalho em dia...

Deixo-vos com este D500 especial (para mim) em jeito de ('maisomenos') poema,

atenciosamente vosso

Der Uberlende



Amada

O que as palavras não sabem dizer
é como são felizes quando deslizam dos teus lábios
Que se enchem de novos significados
quando é a tua língua que as torneia e saboreia

Meu amor, não sabias
que o vento frio do Inverno não é frio
escalda a minha pele quando estás comigo
e transporta-me para o mundo infinito do teu corpo

Tenho pressa de te contar
de te ver sorrir quando ouves o que tenho para dizer
estórias infantis sobre reis e pássaros
vagabundos de um céu onde os teus olhos são o meu Sol

Tenho ânsia de te tocar
de te ver aninhada nos meus braços
sem dor remanescente, sem sentir
a eternidade a dissolver-se

Meu amor, quero contar-te
como a chuva cai gelada do céu que me cobre
quando sei que não vou poder estar contigo
aninho-me e cubro-me com a memória dos teus beijos

Tenho medo de te esquecer
deixar-te escapar por entre os dedos
como areia fina de um deserto de emoções
onde deambularei como um mercador perdido

Tenho as mãos a tremer
de famintas que estão por te tocar
a tua pele de seiva e mel
vontade de viver

Meu amor, queria tanto
saber o que faz a noite e o dia alternar
só assim poderia eu descobrir
como voltar a fazer o dia nascer

Sentir o teu sopro no meu pescoço
a tua voz dentro do meu peito
sem dor remanescente, sem sentir
a eternidade a dissolver-se

Tirar o teu corpo desse sombrio túmulo
Ir ao céu resgatar-te a alma
Rogar aos anjos que te devolvam o sopro
que eu sentia no meu pescoço

Meu amor, só tu podes saber
o que me espera depois de mais esta infindável noite
não mais irei ficar longe de ti
e em breve regalar-me-ei de novo com o teu sorriso

Dá-me asas para que possa voar
tenho tanto orgulho do que fomos
nem a dor remanescente nem os sentimentos
nem a eternidade se irá desvanecer

Só por ti quis estar aqui
agora me despeço desta vida
sem dor remanescente, sem sentimentos
estarei na eternidade contigo

Meu amor, dá-me forças
para que este gesto não me vá fraquejar
E deixa que o vento me sopre na face
aqui na montanha onde juramos amor eterno

Dá-me asas para que possa voar
juntar-me a ti nesse lugar
onde não há dor, apenas sentimentos
e a eternidade nos envolve

Acompanha-me neste mergulho
a falésia está apenas a um último passo
sem dor, arrependimento ou sentimentos
a eternidade aguarda-nos

Meu amor, tu sabias
que o vento frio que sopra na minha face enquanto caio
me aquece a alma e a prepara finalmente
para me fundir contigo na eternidade

Deste-me asas, agora sei voar
o teu amor é a minha força
a dor ficou lá em cima com os sentimentos
de uma eternidade que se desvanece

Sei agora, como sempre o soube
que a vida não é uma dádiva de nenhum deus
é a essência do universo impermanente
que fui pela eternidade


5 de Maio de 2005,

Der Uberlende


PS: Dedicado à MoonLight Fairy, a minha eterna amada. Felizmente, ainda estamos os dois bem vivos, mas não quereria viver sem ti...

7 Comments:

  • Poesia da boa, comovente.
    Logo eu, que já não acredito na eternidade do amor, a dizer isto...
    Parabéns à Fada que o inspirou.

    By Anonymous Anonymous, at 1:02 PM  

  • Bom descanso.

    By Blogger Red Boys ESTAÇÃO, at 2:33 PM  

  • Amei cada palavra, talvez por ser tão sentida. O teu poema é dos mais bonitos que já li. Nem Eugénio de Andrade me emociona assim. Parabéns aos dois por um amor assim, que se eterniza e nasce a cada momento, em cada palavra. Um amor que sentes de forma tão especial que ainda adornas com declarações sentidas. Bom descanso. Beijo no coração

    By Blogger maria l. duarte (secret), at 3:54 PM  

  • A verdadeira poesia é a arte de escrever quando todas as palavras são insuficientes e qualquer imagem idealizada é verbalmente indescritível. A verdadeira poesia é a música da alma. Ainda que a queiramos entender racionalmente, algo há que sempre permanece... quase inintelígivel. Somente no fugaz momento, em que a chama do eterno ilumina a mortalidade, ilusória até na sua essência, conseguimos vislumbrar na sombra da espessa tristeza a diáfana cortina que nos aparta da íntima e pura alegria, até então oculta, que nos preenche bem aquém e além do pouco que julgaramos ser. Nesse momentum conseguimos SER. Não mais nos sentimos separados nem apartados. O amor une-nos numa indelével continuidade de consciência. É raro encontrarmos verdadeira poesia. Por isso é essencial cuidarmos dos seus brilhantes florescimentos. Como este a que, para nosso deleite, nos é permitido aceder... esperando que a alma nos ensine a apreciá-lo e através dele captarmos algo desse imortal e indizível fragmento que nos anima. E que Belo momentum! Parabéns!!!

    By Anonymous Anonymous, at 6:11 PM  

  • Tocou-me...pela bruma de eternidade que fica no ar. A ideia de que a eternidade pode existir, a ideia de que alguma coisa possa ser eterna, mesmo que o não seja - isso é reconfortante.

    By Anonymous Anonymous, at 10:29 PM  

  • O primeiro programa de rádio sem sentido algum.

    www.radio-logia.blogspot.com

    By Anonymous Anonymous, at 10:20 AM  

  • Afinal também temos poeta!?

    A tua amada deve ser a mulher mais feliz do mundo...

    beijinho
    volta depressa!

    By Blogger Eduarda Sousa, at 2:53 PM  

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